1-
INTRODUÇÃO
A história da Apometria, está tão intimamente
ligado à história da Casa do Jardim que torna
impossível falar de uma excluindo a outra. Se a Apometria
é a técnica de desdobramento espiritual operada
pelo comando da mente, a Casa do Jardim é o local,
o grupo, a entidade, a "alma coletiva" onde a
primeira foi planejada, experimentada, fundamentada cientificamente
e estabelecida operacionalmente.
2- ORIGENS NA ESPIRITUALIDADE
Até o momento, sabe-se muito pouco sobre o planejamento
da Apometria no mundo espiritual. As informações
disponíveis, obtidas mediunicamente, indicam que
o Projeto Apometria foi elaborado, no plano espiritual,
no final do século passado, possivelmente nos primeiros
anos da década de 1890.
O Coordenador espiritual do projeto deve ser a entidade
que conhecemos por Dr. Lourenço. Dele sabemos muito
pouco. Espíritos evoluídos não falam
de si. Pela sua ação, palavras e vibração
percebe-se tratar-se de um ser amorável. Há
relatos de que, em outra encarnação, foi o
papa Júlio II. (Giuliano Della Rovere 1443 - 1513;
Papa 1503 - 1513). Pelo exposto é lícito supor
que muitos dos responsáveis pelo desenvolvimento
do projeto, hoje encarnados, tenham participado dos preparativos
iniciais da Apometria, pois todos nasceram a partir da primeira
década deste século.
3-O DESCOBRIDOR DA APOMETRIA
Coube ao Dr. Luis Rodrigues, um farmaceutico-bioquímico,
nascido em Porto Rico e residente no Rio de Janeiro, descobrir
que, através de uma contagem progressiva, era possível
fazer o desdobramento astral de sensitivos ou não
e levá-los a hospitais do mundo espiritual para diagnóstico
e tratamento de enfermidades diversas. As primeiras experiências
foram por ele realizadas no Rio de Janeiro, tendo um jovem
de16 anos, seu sobrinho, como "sujet" e uma enfermeira
como médium. O Dr. Rodrigues, denominou o desdobramento
induzido de hipnometria o que, para evitar conotações
hipnóticas ou de sono, foi mais tarde, denominado
pelo Dr. Lacerda de Apometria. O termo Apometria, do grego
"apo"= separar e "metron"= medir, parece
mais adequado e hoje consagrou-se como designativo do fenômeno
de desdobramento anímico através de pulsos
ou comandos energéticos mentais.
4-OS PRIMEIROS PASSOS NO HOSPITAL ESPIRITA DE PORTO ALEGRE
(HEPA)
Informes verbais, ouvidos do Sr. Conrado Riegel Ferrari,
então Presidente do HEPA, e do Dr. Alfredo Geraldo
Shermann, renomado médico oftalmologista, ambos já
falecidos, relatam que o Dr. Rodngues veio à Porto
Alegre, no início de 1965, para fazer uma pequena
cirurgia nos olhos. Logo após a cirurgia, o Dr. Rodrigues
informou ao Sr. Ferrari sobre suas experiências com
uma nova técnica de diagnóstico e tratamento
espiritual de enfermidades diversas, mediante o desdobramento
dos pacientes à hospitais do mundo espiritual. O
Dr. Rodrigues fazia questão de afirmar que não
se tratava de mediunismo e que o desdobramento era anímico.
O Sr. Ferrari, homem dotado de grande cultura e vivência
espiritualista - em verdade ele era espírita com
larga folha de bons serviços prestados à doutrina
de Kardec- percebendo a importância do que lhe dizia
o Dr. Rodrigues acordou com ele uma experiência para
a qual convidou médiuns de sua confiança e
diversos espíritas eminentes na época. Procedida
a sessão, a qual foi dirigida pelo Dr. Rodrigues,
esta não impressionou os assistentes, a exceção
do Sr. Ferrari e Sr. João A. Venâncio que,
certamente comprometidos com a Apometria antes de reencarnarem,
ficaram motivados para novas experiências. Logo após
esta primeira experiência seguida de outras, o Sr.
Ferrari convidou o .Dr. Lacerda e sua esposa, Dona Yolanda,
para fazerem um atendimento para uma senhora amiga. Dona
Iolanda ficou muito preocupada pois tratava-se de um caso
delicado; um tanto relutante, acedeu. A sessão ocorreu
no HEPA, com a presença do Sr Ferrari, da consulente,
seu esposo e da mãe da consulente. Teve Dona Yolanda
como médium e Dr. Lacerda como dirigente. Procedida
a contagem de desdobramento, Dona Iolanda viu-se transportada
a um hospital do astral, chamado de Hospital Amor e Caridade,
onde foi recebida pelo Dr. Lourenço que lhe disse
serem velhos conhecidos. Passaram a uma sala onde esperavam
alguns auxiliares não identificados. A consulente
também foi desdobrada e levada ao mesmo local onde
recebeu a atenção da equipe em serviço.
Após o atendimento, Dr. Lourenço disse, através
de Dona Iolanda, que tinha uma surpresa para a consulente.
Anunciou-lhe a vinda, de uma filha, o que confirmou-se meses
mais tarde. Com este atendimento consolidava-se a prática
apométrica em Porto Alegre.
5-APOIO DO HEPA
Os membros mais antigos da Casa do Jardim, e por conseqüência
da prática apométrica, costumam dizer que
ambas nasceram em berço de ouro. Em verdade, o então
presidente do HEPA, Sr. Conrado R. Ferrari, percebendo o
alcance da nova técnica, investiu moral e financeiramente
para a sua concretização e desenvolvimento.
A falta de apoio da maioria dos participantes da primeira
sessão dirigida pelo Dr. Rodrigues não o desestimulou.
A incompreensão e criticas de muitos de seus confrades
não o afastaram do propósito de estimular
a nova técnica, a qual deu apoio moral e material
até o seu desencarne em 1972. Deve-se salientar que
o Sr. Ferrari não esteve só em sua tarefa.
O Sr. João Amado Venâncio, então vice-presidente
e posteriormente, presidente do HEPA, seguiu-lhe os passos.
Esta é a razão do agradecimento expresso pelo
Dr. Lacerda, no livro de sua autoria Espírito e Matéria:
Novos rumos para a medicina. Posteriormente o HEPA continuou
apoiando a Apometria até fevereiro de 1987 quando,
esta perdeu o apoio daquele nosocômio e iniciou uma
jornada sem teto próprio que durou até agosto
de 1996, data em que adquiriu o imóvel na Rua Beck,
129 onde hoje está sediada. É de justiça
aqui externar gratidão as sociedades espíritas
Maria de Nazaré, Nossa Casa, e Ramiro Dávila
as quais, fraternalmente albergavaram a Casa do jardim entre
fevereiro de 1987 e março de 1997.
6- FUNDAMENTAÇÃO CIENTÍFICA DA APOMETRIA
Ao se falar deste tema, necessário se faz apresentar
o homem responsável por este feito, Dr. José
Lacerda de Azevedo: Médico, cirurgião e Clínico
geral, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do
Sul, turma de 1950, ex-professor de Fisica da Escola Técnica
do Senai, espírita desde a juventude, com larga folha
de serviço prestado à doutrina de Kardec,
um humanista, inteligência brilhante, cientista nato,
cultura enciclopédica, franco e direto em suas observações,
mas, sobretudo, um caráter íntegro, uma conduta
moral ilibada. A este homem incomum coube o desafio de fundamentar
cientificamente a Apometria e ele cumpriu a tarefa com raro
brilhantismo. Dr. Lacerda, desde as primeiras experiências,
ao fazer a contagem, apercebeu-se de que os números,
em si, não tinham significado. Poderiam ser usadas
as letras do alfabeto ou quaisquer outros símbolos
ordenados seqüencialmente. O que importava era a energia
mental dirigida com a intenção de produzir
o desdobramento. A cada novo número um novo "quantum"
de energia é mobilizado pela mente que vai construindo
uma força capaz de atuar poderosamente no mundo astral
provocando fenômenos diversos. Usada com ética
e amor esta força produz efeitos extraordinários
com benefício a encarnados e desencarnados. As equações
que fundamentam a Apometria constam no livro do Dr. Lacerda
"Espírito e matéria: Novos horizontes
para a medicina", editado pela primeira vez em 1987
e, ainda, atualizadíssimo nos seus conceitos e fundamentações.
Outro fato, recentemente revelado por Dona Yolanda, esclarece-nos
sobre a interação entre os cientistas do mundo
espiritual e o Dr. Lacerda, para a elaboração
da Apometria. Conta Dona Iolanda que, no início da
década de 70, numa determinada noite, viu-se levada,
juntamente com o Dr. Lacerda, até um grande edificio
no mundo espiritual. São suas as palavras: "Ao
chegarmos no local, fomos recebidos por um casal muito amável,
ele mais circunspecto, ela mais sorridente. Fui informada
que a Sra. me faria companhia num passeio pelos parques
da colônia. Percebi, então, ao abrirem uma
porta de sala contígua ao saguão de entrada,
que suas paredes eram cobertas por uma enorme lousa verde,
cheia de equações fisico-matemáticas.
O Lacerda e o anfitrião adentraram na sala e eu fui
levada até uma plataforma, onde havia um veículo
oval sem rodas, no qual sentamos e, conduzido por jovem
piloto, decolamos em visita às cercanias". Continua
a narrativa de Dona Yolanda: "O local era maravilhoso!
Voamos sobre um vale coberto de árvores verdíssimas
e flores multicores de rara beleza. A esquerda, percebi
uma montanha, em cuja encosta localizavam-se muitas casas
em estilo Suíço. Perguntei à acompanhante
do que se tratava e ela informou-me que lá era o
bairro onde residiam os cientistas". Concluído
o passeio, Dona Yolanda dirigiu-se ao saguão do edificio
onde encontrou o Dr. Lacerda acompanhado do Senhor que os
recebera. Percebeu, então, que o mesmo entregou ao
Dr. Lacerda um livro, ou grosso caderno de capa verde-escuro,
e disse-lhe: "Aqui tens todas as informações
de que necessitas para realizares tua tarefa". Despediram-se
e Dona Yolanda, sentindo-se acordada, chamou o Dr. Lacerda
que dormia profundamente o qual disse-lhe não se
recordar do que ela falava. Até esta data, mesmo
que já tenha sido revelado ao Dr. Lacerda que ele
deveria escrever um livro sobre o trabalho em desenvolvimento,
não havia nada escrito sobre Apometria. Um pequeno
opúsculo escrito pelo Dr. Luis Rodrigues, descrevia
a técnica de desdobramento por ele denominada de
hipnometria, sem fundamentá-la cientificamente. A
partir do encontro no mundo astral, acima descrito, o Dr.
Lacerda passou a se preocupar em formular uma explicação
científica para a Apometria. Dr. Lacerda, todos os
sábados, chegava à Casa do Jardim às
6:00 horas e punha-se a desenvolver, na lousa, as equações
apométricas. Ao chegarem os demais trabalhadores
a partir das 7:30 horas, lá estava o Dr. Lacerda
exultante, entusiasmadíssimo. Usava da meia hora
disponível, antes do início dos trabalhos,
para expor suas equações. Formuladas as equações
e fundamentada cientificamente a Apometria. Dr. Lacerda
iniciou a redação do texto que deu origem
ao livro básico desta técnica, publicado,
em primeira edição, em 1987.
7- CIMENTAÇÃO ÉTICO-MORAL DA APOMETRIA
O conhecimento científico, filosófico ou religioso,
sem amor ou espírito humanitário é
mero intelectualismo e, muitas vezes, por estimular o orgulho
e a vaidade, afastam o homem de Deus. Toda a vida do Dr.
Lacerda foi voltada à caridade. De sua profissão
fez um apostolado. Médico conceituado, auriu do exercício
da medicina somente o suficiente para o sustento de sua
família. Viveu modestamente sem a posse de quaisquer
bens financeiro ou imobiliário. Sua esposa, Dona
Yolanda, médium de apurada sensibilidade, dotada
de amorável coração, companheira de
todas as horas, uma espécie de anjo da guarda no
corpo físico, colocada ao lado do Dr. Lacerda, para
auxiliá-lo no exercício da Apometria com amor,
continua cumprindo sua tarefa com raro sucesso. Mais do
que isso, ela tem sido um exemplo para todos os trabalhadores
da Casa do Jardim. Deste homem e desta mulher, ambos com
sólida formação evangélica,
conhecedores a fundo da Doutrina Espírita, estudiosos
dos problemas da alma humana, exemplos de dignidade, sempre
preocupados em metigar a dor e sofrimento alheio, não
poderia surgir uma obra que não fosse fundamentada
no amor e na caridade. Dona Iolanda e Dr. Lourenço,
sempre estiveram ao lado do Dr. Lacerda e, por extensão,
de todos os trabalhadores da Casa do Jardim, orientando-os
para que o amor e a caridade fossem a pedra basilar da Apometria.
Não cabe dúvidas, o desenvolvimento da Apometria
só se efetivou, porquê, concomitantemente ao
desenvolvimento da técnica, houve a ação
amorável colocando-a gratuitamente a serviço
do próximo. Vale esta orientação para
todos os atuais e futuros trabalhadores em Apometria. A
técnica só é exitosa, quando embasada
no amor.
8- DISSEMINAÇÃO DA APOMETRIA
A Apometria, na sua fase de desenvolvimento, foi praticada
somente na Casa do Jardim, no HEPA, em Porto Alegre. Os
estudos e práticas iniciais desenvolveram-se sem
alardes. Dr. Lacerda fazia exposições teóricas
e práticas aos trabalhadores da Casa. Eventualmente,
um ou outro convidado, tinha acesso a uma sessão
como observador. A escolha de novos trabalhadores era feita
com muito cuidado. Em 1987 é publicada a primeira
edição de "Espírito e Matéria:
Novos Horizontes para a Medicina", com o qual a Apometria
é divulgada na sua plenitude. A partir de então,
o Dr. Lourenço sugeriu ao Dr. Lacerda e Dona Iolanda
que deveriam aceitar os convites que estavam recebendo para
conferências e demonstrações práticas
fora de Porto Alegre. Diversas cidades do interior do Rio
Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São
Paulo foram visitadas. Diversos estagiários de Caxias
do Sul, Pelotas, Novo Hamburgo e Montenegro no RS, Lages-SC
passaram a freqüentar a Casa do Jardim em Porto Alegre.
Novos grupos foam fundados nestas cidades e em Brasilia
para onde o Dr. Vitor Ronaldo da Costa , ex-trabalhador
da Casa em Porto Alegre, levou apometria com pleno sucesso.
Em 1991 e 1993, aconteceram o primeiro e segundo Congresso
Brasileiro de Apometria em Caxias do Sul e, em 1995 o III
Congresso Brasi1eiro de Apometria, em Lages-SC, reuniu público
expressivo, com mais de 300 pessoas participando das plenárias.
A partir destes eventos, a Apometria toma grande impulso.
Cursos são ministrados em Porto Alegre, Caxias do
Sul e Lages e novos grupos surgem em diversas cidades do
Sul do Brasil. Presentemente há informações
e grupos de Apometria operando em diversos estados brasileiros.
A expansão da Apometria se faz de maneira progressiva
e segura, a despeito da incompreensão de alguns.
Creditamos esta incomprensão ao desconhecimento do
que é Apometria. Quem a estuda, percebe tratar-se
de uma técnica auxiliar à Causa espírita
e espiritualista em geral, poderosa ferramenta de trabalho
na desobsessão, anulação de magia,
batuques, feitiços, etc. e precioso auxiliar no diagnóstico
e tratamento das enfermidades psiquico-somáticas.
Além do desconhecimento da Apometria há uma
confusão entre esta, que é a técnica,
e a Casa do Jardim, instituição onde a mesma
foi desenvolvida. A Casa do Jardim é registrada em
Cartório como entidade civil de direito privado de
caráter espirita caritativa e assistencial, sem fins
lucrativos. Seu corpo de trabalhadores, hoje aproximando-se
de 200 provenientes de diversas doutrinas ou filosofias
espiritualistas. A maioria é de formação
espírita, seguida por umbandistas, exoteristas, teosofistas,
maçons e rosacruzes. A Ação da Casa
do Jardim é voltada para a caridade e seu único
compromisso é com o amor e a verdade. Segue a prescrição
evangélica magnificamente sintetizada por Jesus no
"Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo
como a ti mesmo. Ai estão toda a a lei e os profetas".
Esta liberdade se faz necessária porque a pesquisa
e a experimentação, para avançar no
conhecimento que permita melhor servir, não pode
ser cerceada por normas de doutrina ou de culto. Isso não
impede que casas espíritas, umbandistas ou de qualquer
outra prática espiritualista, norteadas pelo amor,
estudem e pratiquem a Apometria, sem qualquer desrespeito
às normas de suas respectivas doutrinas.
9- CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao final deste relato parece salutar tecer algumas considerações
emergente de seu próprio conteúdo e da natureza
da Apometria. Fica evidenciado que a Apometria não
se constitui em doutrina, filosofia, religião ou
seita. Trata-se de uma técniça de desdobramento
espiritual induzida por pulsos energéticos dirigidos
pela mente do diretor para isso treinado. Esta técnica
está fundamentada cientificamente e disponível,
como preciosa ferramenta de trabalho, para o atendimento
de diversas patologias psiquico-somáticas de dificil
diagnóstico e tratamento pouco exitoso pelos procedimentos
terapêuticos em uso. Sua prática somente deve
ser exercida por grupos treinados, sempre em consonância
com o amor e sem interesses de ordem financeira. Para salientar
este aspecto transcrevemos abaixo a partir da chamada Regra
de Ouro da Apometria, conforme consta do texto de "Espírito
e matéria: Novos Horizontes para a Medicina"
obra basilar da Apometria de autoria do Dr. José
Lacerda de Azevedo:
"Aqui,
no entanto, devemos clarinar um vigoroso alerta para os
entusiasmos que possamos estar provocando. Como fundamento
de todo este trabalho - como de resto, de todo o trabalho
espiritual - deve estar o "Amor". Ele é
o alicerce. Sempre..."
(1)
Trabalho apresentado no 4º Congresso Brasileiro de
Apometria. Porto Alegre 5-7 setembro/97.
Carlos I. N. Barradas
